- Mas defensores de projetos como o de acesso a banda larga gratuita para todos usam um discurso de ampliação da democracia para defender suas propostas.
É ótimo que todos tenham acesso à internet. Mas a inclusão digital é uma oportunidade para pessoas serem incluídas digitalmente. Não é mais que isso. Não significa que essas pessoas vão ficar mais felizes, que elas vão, necessariamente, subir na vida, que elas vão ter melhor atendimento de saúde, que a aposentadoria vai melhorar. Significa apenas que elas vão estar incluídas digitalmente. É importante que uma pessoa pobre, de periferia, tenha acesso a esse mundo digital, senão perde um conjunto de informações. Então, do ponto de vista político e de valores democráticos, é importante que isso ocorra. Porém, não vamos nos iludir que, ao ter esse acesso, a sociedade mudou e se transformou, porque você vai estar no mesmo lugar, na mesma favela. Do jeito que as pessoas falam do mundo técnico, bastaria você comprar um celular e um computador para se tornar um cidadão mundial – não é assim que as coisas se passam. Sem querer banalizar e nem depreciar a inclusão digital, pelo contrário, eu acho importantíssimo.
O problema desse mundo tecnológico é que a cada três meses nós temos uma revolução, mas ao final de um ano as coisas estão as mesmas. Como é que houve uma revolução, se não mudou nada?
[Trecho da entrevista de Renato Ortiz para a edição de Jan/11 da Revista Continente]